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HISTÓRICO DA REFRIGERAÇÃO


O HISTÓRICO DA REFRIGERAÇÃO
O emprego dos meios de refrigeração já era do conhecimento humano mesmo na 
época das mais antigas civilizações. Pode-se citar a civilização chinesa que, muitos 
séculos antes do nascimento de Cristo, usava o gelo natural (colhido nas superfícies dos 
rios e lagos congelados e conservado com grandes cuidados, em poços cobertos com 
palha e cavados na terra) com a finalidade de conservar o chá que consumiam. As 
civilizações gregas e romanas que também aproveitavam o gelo colhido no alto das 
montanhas, a custo do braço escravo, para o preparo de bebidas e alimentos gelados.
Já a civilização egípcia, que devido a sua situação geográfica e ao clima de seu 
país, não dispunham de gelo natural, refrescavam a água por evaporação,  usando vasos 
de barro, semelhantes às moringas
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, tão comuns no interior do Brasil. O barro, sendo 
poroso, deixa passar um pouco da água contida no seu interior, a evaporação desta para 
o ambiente faz baixar a temperatura do sistema. Entretanto, durante um  largo período de 
tempo, na realidade muitos séculos, a única utilidade que o homem encontrou para o 
gelo foi a de refrigerar alimentos e bebidas para melhorar seu paladar.
No final do século XVII, foi inventado o microscópio e, com o auxílio deste 
instrumento, verificou-se a existência de microorganismos (micróbios e bactérias)
invisíveis à vista sem auxilio de um instrumento dotado de grande poder de ampliação. 
Os micróbios existem em quantidades enonnes, espalhados por todas as partes, água, 
alimentos e organismos vivos.
Estudos realizados por cientistas, entre eles o célebre químico francês Louis 
Pasteur, demonstraram que alguns tipos de bactérias são responsáveis pela putrefação 
dos alimentos e por muitos tipos de doenças e epidemias. Ainda através de estudos, 
ficou comprovado que a contínua reprodução das bactérias podia ser impedida em
muitos casos ou pelo menos limitada pela aplicação do frio, isto é, baixando
suficientemente a temperatura do ambiente em que os mesmos proliferam. Essas
conclusões provocaram, no século XVIII, uma grande expansão da indústria do gelo, 
que até então se mostrava incipiente.
Antes da descoberta, os alimentos eram deixados no seu estado natural,
estragando-se rapidamente. Para conservá-los por maior tempo era necessário
submetêlos a certos tratamentos como a salgação, a defumação ou o uso de
                                                
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Moringa é um vaso de barro arredondado, de gargalo estreito para água.3 3
condimentos. Esses tratamentos, na maioria dos casos, diminuíam a qualidade do
alimento e modificavam o seu sabor. Com a descoberta, abria-se a possibilidade de se 
conservar os alimentos frescos, com todas as suas qualidades, durante um período de 
tempo maior.
Contudo, o uso do gelo natural trazia consigo uma série de inconvenientes que 
prejudicavam seriamente o desenvolvimento da refrigeração, tornando-a de valia
relativamente pequena.
Assim, ficava-se na dependência direta da natureza para a obtenção da matéria 
primordial, isto é, o gelo, que só se formava no inverno e nas regiões de clima bastante 
frio. O fornecimento, portanto, era bastante irregular e, em se tratando de países mais 
quentes, era sujeita a um transporte demorado, no qual a maior parte se perdia por 
derretimento, especialmente porque os meios de conservá- lo durante este transporte 
eram deficientes. Mesmo nos locais onde o gelo se formava naturalmente, isto é, nas 
zonas frias, este último tinha grande influência, pois a estocagem era bastante dificil, só 
podendo ser feita por períodos relativamente curtos.
Por este motivo, engenheiros e pesquisadores voltaram-se para a busca de meios 
e processos que pennitissem a obtenção artificial de gelo, liberando o homem da 
dependência da natureza. Em conseqüência desses estudos, em 1834 foi inventado, nos 
Estados Unidos, o primeiro sistema mecânico de fabricação de gelo artificial e, que 
constituiu a base precursora dos atuais sistemas de compressão frigorífica. 
Em 1855 surgiu na Alemanha outro tipo de mecanismo para a fabricação do gelo 
artificial, este, baseado no principio da absorção, descoberto em 1824 pelo fisico e 
químico inglês Michael Faraday.
Durante por cerca de meio século os aperfeiçoamentos nos processos de
fabricação de gelo artificial foram se acumulando, surgindo sistematicamente melhorias 
nos sistemas, com maiores rendimentos e melhores condições de trabalho. Entretanto, a 
produção propriamente dita fez poucos progressos neste período, em conseqüência da 
prevenção do público consumidor contra o gelo artificial, pois apesar de todos estarem 
cientes das vantagens apresentadas pela refrigeração, era crença geral que o gelo
produzido pelo homem era prejudicial à saúde humana.
Tal crença é completamente absurda, mas como uma minoria aceitava o gelo 
artificial, o seu consumo era relativamente pequeno. Todavia, a própria natureza
encarregou-se de dar fim a tal situação. Em 1890, o inverno nos Estados Unidos, um 
dos maiores produtores de gelo natural da época, foi muito fraco. Em conseqüência, 4 4
quase não houve formação de gelo neste ano, naquele país. Como não havia gelo 
natural, a situação obrigou que se usasse o artificial, quebrando o tabú existente contra 
este último e mostrando, inclusive, que o mesmo era ainda melhor que o produto 
natural, por ser feito com água mais pura e poder ser produzido à vontade, cnforme as 
necessidades de consumo.
A utilização do gelo natural levou a criação, no princípio do século XIX, das 
primeiras geladeiras.
Tais aparelhos eram constituídos simplesmente por um recipiente, quase sempre 
isolado por meio de placas de cortiça, dentro do qual eram colocadas pedras de gelo e os 
alimentos a conservar, ver figura abaixo. A fusão do gelo absorvia parte do calor dos 
alimentos e reduzia, de forma considerável, a temperatura no interior da geladeira.
Surgiu, dessa forma, o impulso que faltava à indústria de produção mecânica de 
gelo. Uma vez aceito pelo consumidor, a demanda cresceu vertiginosamente e passaram 
a surgir com rapidez crescente as usinas de fabricação de gelo artificial por todas as 
partes.
Apesar da plena aceitação do gelo artificial e da disponibilidade da mesma para 
todas as classes sociais, a sua fabricação continuava a ter de ser feita em instalações 
especiais, as usinas de gelo, não sendo possível a produção do mesmo na própria casa 
dos consumidores. A figura típica da época era o geleiro, que, com sua carroça isolada, 5 5
percorria os bairros, entregava nas casas dos consumidores, periodicamente, as pedras 
de gelo que deviam ser colocadas nas primeiras geladeiras.
No alvorecer do século XX, começou a se disseminar outra grande conquista, a 
eletricidade. Os lares começaram a substituir os candeeiros de óleo e querosene e os 
lampiões de gases, pelas lâmpadas elétricas, notável invenção de Edison, e a dispor da 
eletricidade para movimentar pequenas máquinas e motores. Com esta nova fonte de 
energia, os técnicos buscaram meios de produzir o frio em pequena escala, na própria 
residência dos usuários. O primeiro refrigerador doméstico surgiu em 1913, mas sua 
aceitação foi mínima, tendo em vista que o mesmo era constituído de um sistema de 
operação manual, exigindo atenção constante, muito esforço e apresentando baixo
rendimento.
Só em 1918 é que apareceu o primeiro refrigerador automático, movido a
eletricidade, e que foi fabricado pela Kelvinator Company, dos Estados Unidos. A partir 
de 1920, a evolução foi tremenda, com uma produção sempre crescente de
refrigeradores mecânicos
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