Notícias - Técnica da câmara fria eleva produtividade do alho a 20 toneladas

Técnica da câmara fria eleva produtividade do alho a 20 toneladas

Cerrado, apesar do clima quente, é a região mais produtiva da cultura no mundo; média do Sul é de 10 toneladas

  

O alho é uma cultura muito exigente em frio, ela precisa de baixas temperaturas para florescer, por isso a Região Sul seria o local mais óbvio para a produção do alho brasileiro. No entanto, é no Cerrado, uma área de clima quente, que o alho está se manifestando com produtividades recordes. A média de produção é de 15 toneladas por hectare, mas em muitas fazendas este número já alcança as 20 toneladas, fazendo do Cerrado a área com maior produtividade de alho do mundo. Para conseguir este feito, os produtores estão utilizando a tecnologia da câmara fria, que engana o alho. Com a climatização, o alho se sente a vontade para florescer porque, aparentemente, está em um região fria.


Para a técnica dar certo, os produtores têm que colocar as sementes de alho na câmara fria entre 50 e 55 dias antes do plantio para a semente achar que o frio é natural e conseguir produzir. Entre 60 e 70 dias após o plantio, a planta começa a bulbificar e os dentes começam a surgir. Porém, para conseguir atingir os ótimos números de produtividade, o agricultor precisa escolher muito bem a semente que vai utilizar, ela vai determinar a produção, segundo o engenheiro agrônomo Marco Antônio Lucini, extensionista rural da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina). Ele diz que o fator mais importante é o tamanho e a qualidade das sementes, que devem ser graúdas, saudáveis e de boa procedência.

— Sem sombra de dúvida, a melhor região para produção de alho no mundo é a Região do Cerrado brasileiro. É um clima extremamente favorável, os produtores dominaram muito bem a tecnologia da câmara fria, que engana o alho porque o alho acha que é frio e consegue produzir. Nessa época do ano não chove, então, todo o alho é irrigado por pivô e os controles de doença e pragas ficam muito fáceis, ao contrário do Sul onde nunca se sabe como será o inverno, se vai chover muito ou pouco. No Sul a produtividade média não é muito alta, entre 10 a 12 mil quilos, no máximo. Já no Cerrado, é de 15 a 16 toneladas, mas já existem fazendas conseguindo produzir 20 toneladas, o que é uma coisa inédita — compara.

Lucini diz que a época de plantio ideal de alho no Cerrado é em abril com colheita em agosto, mas que esse período pode ir de meados de março a meados de maio com colheita entre junho e fim de setembro. Já na Região Sul, o plantio é feito na época de inverno, no fim de maio a fim de julho, com colheita de final de novembro a final de dezembro. As cultivares mais plantados no Cerrado e que têm boa produtividade são as variedades Ito, Caçador e Quitéria. Já no Sul, a mais cultivada é a  São Valentim. A expectativa de plantio está muito boa para este ano, já que os chineses acabaram com o dumping e aumentaram o preço do alho chinês em cinco vezes. Com isso, os produtores brasileiros têm condição de competir com o produto importado e pode voltar a ocupar um lugar importante no mercado. Segundo Lucini, este ano a produção de alho vai ser de 15% a 20% maior do que no ano passado e a perspectiva para os próximos anos é de que este número suba ainda mais.

— A notícia do aumento foi um ânimo para o setor produtivo nacional já que a gente vinha de muitos anos concorrendo com o alho chinês com um preço muito baixo porque eles estavam aplicando o dumping. Agora, este alho chinês chega ao mercado a um preço em que o nosso alho é competitivo e isso está animando produtores. O Cerrado já plantou 15% a mais e estamos em pleno plantio no Sul com 15% a 20% de expansão. Mas mesmo assim vai ser suficiente para abastecer apenas um terço do consumo nacional, dois terços do noso consumo ainda vem da China e Argentina. A orientação é para que o pessoal continue plantando com sementes de qualidade e buscando mercado porque só assim a gente vai conseguir recuperar o nosso espaço que hoje está tomado pelo alho importado — alerta Lucini.

Segundo dados da Epagri, a área plantada de alho em Santa Catarina chega a 1,2 hectares, mas ainda está muito longe dos 4,4 mil hectares da década de 80 quando o alho nacional abastecia a maior parte do mercado interno. O instituto mostra que o preço do alho chinês com dumping estava em US$ 4 a caixa de 10 quilos e, agora, passou para US$ 19, fazendo com que o custo de importação da caixa chinesa pule de R$ 22 para R$ 60. Para conseguir volar ao patamar anterior, os produtores precisam continuar plantando bastante e investindo em sementes sadias e controle de doenças e pragas. As principais doenças do alho são a alternária e estencílio, no Cerrado, e a ferrugem, no Sul. Além das doenças de solo como nematóides, podridão branca e raiz rosada. Quanto a pragas, só existe uma preocupante, a tripes, que deve ser controlada com pulverizações.

— Contra os problemas de doença foliar o manejo indica sempre produtos preventivos e para as doenças de solo a indicação é basicamente a rotação de cultura, o produtor deve plantar no máximo dois anos a mesma cultura e fazer a rotação. No caso da tripes, que aparece mais nas épocas quentes do ano, a solução é a pulverização. Junto com o fungicida se adiciona um inseticida para controle da praga. Existem vários produtos registrados no mercado que são bastante eficientes — explica Lucini.

FAÇA AGORA SEU ORÇAMENTO!